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O Lobo da Estepe


Enfim,, poesia.

Como foi ontem.  

"(...) A Vida inteira que podia ter sido e que não foi (...)"  Manuel Bandeira

 

I – Prólogo.

 

Que seria das ruas

Das Casas

Da noite que nunca termina

 

Que seria das tuas

Mãos e Asas

Do frio escuro que não ilumina

 

Seria sim, se tivesse o não ter

O não ser

O não ouvir

O não sentir

 

II – Talvez

 

Talvez o mundo fosse verde

Se não houvesse o escuro da noite

> E fatigado eu sentisse sede

Depois de sentir o açoite.

 

E de cristalina e viva água

Bebesse até que meus olhos cerrassem

Refletindo a amarga mágua

E que de você, elas sumissem.

 

O escuro seria luz, de vez

O açoite a marca da sua rês

E a certeza não mais meu talvez

 


Escrito por Ralf às 14h03
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III - Cheiro

 

A blusa azul

O batom

Cheiro

Sem cheiro o sofá.

Lua, desnuda.

No caminho

A terra

A cerca e o portão.

Sem vozes

As vozes do suspiro >

A blusa preta

A letra branca

O ônibus vazio e o violão

Não chego

Não vou

Sem mundo

Mundo vazio

Verde, escuro, triste desvão.

 

IV -  A Tarde

 

 Ontem, no quintal, com as plantas, o garfo torto e o peixe assado, do frio da nuvem da chuva, a chaga presa na pata, o sangue coagulado, a vida nas quatro paredes do mundo sem fim, da tarde serena sem som, onde ouvia tua voz, a lágrima sempre cai do olho direito direto na camisa vermelha, mas por fim as coisas tomam outro rumo, o rumo contrário, de volta para casa, pelo mesmo caminho onde andei mil vezes, e para as mesmas noite que não durmo a mil dias, o violão está ali parado, sob a cama, quieto, aqueles acordes, tão vivos, tão coloridos, estão mortos, pretoto e branco, com as cordas manchadas, dia mais menos dia, da manhã tardia de hoje nunca prevê o caso sério do dia não dia, o dia que deveria ter sido esquecido mas não foi, mas sorte menos ainda hoje arrefece, cedo ou tarde o dia, mas a noite eterna termina em outro dia onde todas as coisas de ontem serão iguais.


Escrito por Ralf às 14h02
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V – Não querência >

 

Queria eu, um dia.

Ver-te, e sentir outra coisa:

Alguma que não seja essa

 

Queria eu, um dia.

Ver-te, mas não te ver:

Alguma verdade absoluta

 

Queria eu, um dia.

Ver-te, e sair pelo lado:

Algum lugar onde não estarás

 

Queria um dia

 

VI – Resolução

 

Não consigo.


Escrito por Ralf às 14h02
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VII -

 

 - Eu queria mesmo, mas você nunca está.

 - Queria?

  > - Quero

- O que?

- Inimaginações.


Escrito por Ralf às 14h02
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VIII

 

As palavras

Nunca ditas

E sempre sonhadas

Ainda não estão

Como deveriam estar

Os sonhos

Sempre sonhados

Nunca ditos

Estão como sempre

Deveriam estar

 

A Morte vem

Não se sabe.

Demora ou não.

O esperar será eterno

Se não for o que,

Deveria ter sido

> Desde o nascer do sentimento


Escrito por Ralf às 14h01
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IX

 

Não morre

Não exangue

Não apaga

 

Não arrefece

 

Dura

Dura

Dura

 

Sempre

Sempre

Sempre

 

Três mil vezes morrer e levantar, a assistir sua morte.

Dez mil vezes morrer a ver outra planta

Quinze mil vezes morrer a me plantar em outro lugar

 

 


Escrito por Ralf às 14h01
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Escritor. S.m,  Autor de composições literárias ou científicas.

Escrevinhador. S. m, Fm.  Escritor sem ou de muito pouco merecimento; escrevedor, escriba.

Escrevinhar. V. t. d. 1. Escrever (coisas fúteis, de pouco valor), sem proveito, para encher tempo. Int. 2. Escrever mal; rabiscar. 3. Escrever futilidades. 

 

     Estava andando, eu, pelo orkut quando vi uma comunidade que se ocupava de escritores, sendo mais direto, de abrir espaço para textos novos. Sim a comunidade era aberta para quem quisesse expor seus escritos, portanto não tratava de escritores já bem sucedidos. Chegamos ao ponto crucial, os escritores virtuais.

     O que é ser escritor? O Aurélio já nos disse um pouco acima, e, segundo minha mãe, escritor é aquele que vive do que escreve. E os escritores virtuais? E eu? Admito que tenho a grande audácia de realmente um dia, escrever, ganhar escrevendo, ser escritor no sentido amplo da palavra, enquanto isso, sou escrevinhador.

     Não mereço, não crio coisas de proveito, são somente futilidades, para encher tempo. Só exponho meus medos, meus traumas, minhas complicações diárias, meus conflitos com meus “eu” interiores. As vezes ou quase sempre, me perco entre as palavras, entre as linhas de pensamento, entre eu mesmo. Que acabam sempre em linhas bagunçadas, idéias cruzadas, e eu, perdido, como sempre. Escrever (escrevinhar) acaba sendo umas das coisas mais sinceras que faço. Portanto os valores aqui se transformam de literários para sentimentais, e as coisas proveitosas são as paixões, a vísceras, e a incrível teimosia, as futilidades são importantes, essenciais. Essa é a molduras dos sentimentos em palavras, dos sentimentos sem educação, sem preparo, elevados ao grau máximo de impureza. Queria eu que as palavras tivessem vida, som, cor, para poder falar melhor que a minha mínima capacidade de moldá-las. Aí está a vivencia do escrevinhador, labutar, esculpir, achar minas ricas onde encontre a verdadeira forma do sentido e da elegância das palavras. Para isso, o melhor remédio é ser fútil. Fútil como as informações, como a velocidade da Internet, como os blogs, para alcançar a redenção do ofício.

 

 

 


Escrito por Ralf às 20h40
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Periferia

Andando pelo bairro onde as mais remotas lembranças descalçam sobre as sombras das arvores, vale nos lembrar, e trazê-las a tona, e, completando o ciclo, elas valham, também,para serem registradas, e ,eu, em minha inquietude de espírito, e transbordando expectativas realmente feche o ciclo e traga minha periferia até aqui.

Quando essa palavra, periferia, é pronunciada ou escrita, nós, imediatamente pensamos nas titânicas favelas paulistanas e cariocas, pensamos em violência, desrespeito, carência, estrutura, e tantas outras coisas que cabem aos governantes enumerar, e não eu... Mas por outro lado, eu não sou metropolitano, e, minha periferia está à margem de uma cidade pequena, e mais, minha periferia está num lado privilegiado. Primeiro aspecto está no verde predominante das ruas, onde as arvores cobrem as casas, e as casas cobrem os corações, está nas sombras das arvores que, nos dias quentes, são tão preciosas quanto sonhos, está nas ruas calmas, onde as pessoas simplesmente caminham, se demoram nas tarefas de limpeza, onde os bares tem os mesmos cachaceiros e desregrados de sempre, e em seu rosto vemos o sol do trabalho, e os dentes do sorriso. Por segundo temos a grande Serra da Mantiqueira nos beirando, no murando como um velho forte, as colinas e montanhas verdes erguem-se, ali, a nordeste, perto de onde nasce o sol. Não é uma coisa inatingível, não é uma paisagem de um retrato, e muito menos a imagem de uma TV, está ali, a quem quiser ver, trilhar ou escalar. Por conseguinte temos o terceiro item, que, na minha versão soa como o refrão da canção negra: “periferia é periferia”, pois então temos, alguma violência, algum tráfico, alguma droga pulando de mão em mão em qualquer boca suja e mal vigiada.

Qual seria a conclusão? Isso é um paraíso. Verde. Vento fresco. As verduras no sitiozinho aqui vizinho, a tranqüilidade da calçada assentada pela gente, e o cheiro de comida bem feira que sobe ao ar da casa dos vizinhos, que sempre nos trazem um pouco.

Onde está a pressa? O corre-corre? As neuras e as angustias? E os analistas? Sinto informa-lhe, mas, desconheço, e, caso descubra, lhe digo.


Escrito por Ralf às 17h33
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Ano novo (meio atrasado)

Uma coisa inevitável, sempre nos cai sobre os ombros, e, ignorada, nos martela a cabeça até que, enfim, sedemos e finalmente escrevemos sobre o fim do ano. Escrever sobre o fim do ano é uma tarefa chavão de blogs, principalmente se o assunto for sobre planos ou esperanças para o novo ano, pois bem, desse ponto nos despedimos, sou mais afeto ao relato e ao balanço do ano findo.

Não sei se começo pelo começo, pelo fim, se emprego ordens crescentes ou decrescentes aos acontecimentos, por esse motivo, falo dos que me marcaram, sem ordem, sem importância de data, apenas será uma memória sentimental.

Tive muitos anos q se passaram como se passa um metro, rápido, e sem deixar muitas lembranças, apenas dos seus passageiros. Meus anos anteriores se passaram assim, sem a lentidão das lembranças. Porém, algo de novo aconteceu em 2004, meu castelo ruiu e fui obrigado a construir outro, e tantas pessoas foram convivas e outras tantas penetras, e gastos ficaram seus aposentos, e sem cor suas paredes, pequenas foram as suas portas e rasgados foram seus tapetes, mas o Rei, o Conde, estava deitado em sua cama, tendo a ressaca de um ano cheio, no mínimo satisfeito. Mas, o tempo, como nunca pára e a ainda dita suas regras não negou transformar também o ano de 2005. o Castelo foi abandonado, e, como um Dom Quixote, sem Sancho Pança, saí a aventurar-me, deixei meus livros, minha cama, e as pesadas roupas. Não demorei-me muito nesse exercício, no qual, num outro dia será melhor relatado, e como o filho pródigo, retornei a velha casa. Não sei dizer o que aconteceu neste instante, acho q minha cabeça caiu e nasceu outra nova, logo sempre se pensa q as novas serão melhores, mas ganhei uma bem perturbada, e por meses, assim permaneci, sem nome, sem pátria, sem rumo. Não agradecer a sorte ou a Deus, minha velha cabeça voltou, porém novos pensamentos povoam entre grandes espaços antes vagos, sim meus caros, entro em ano novo com um novo estoque de pensamentos, novas ânsias, e outras tantas vontades, pois sim, entro 2006, feliz, felicidade quer dizer paz, mas, entro em paz com o mundo ao redor e não comigo mesmo. Assim completo.

2006 está já aqui, mostrando sua face jovial, e fazendo o possível para que também nós tenhamos juventude para encarar mais uma etapa da vida, e que ela não seja apenas champanhes, roupas brancas e fogos em Copacabana. Que seja o início de ano realmente novo, que esqueçamos tudo e olhemos pra frente, para o selvagem horizonte de 2006.

 

Feliz Ano Novo!!!!

 


Escrito por Ralf às 17h31
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Emocionalmente Instável

(...)"O solitário é aquele que não pode compartilhar, mas é principalmente alguém que não tem como dividir a si mesmo: sua liberdade e sua responsabilidade. Deve assumir por si mesmo a tarefa de fazer algo de si - e arcar com as conseqüências. Este poderia ser chamado o lado ético da solidão, uma vez que nos expõe solitários diante das decisões morais, aquelas que nos abrem os caminhos da existência." (...)

Retirado do Blog da Alk, q retirou da revista Cult.


Escrito por Ralf às 15h29
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Infértil

Lembro-me de ficar muito tempo sem escrever, mais do que eu deveria. Mas quando passo por algumas coisas não consigo colocar uma só idéia em prática, fico pairando no limbo criativo, à deriva sem velas nem ventos.

È incrível como as mudanças me afetam em todos os sentidos, de todas as direções e em todas as partes do corpo. O primeiro sintoma é não dormir, claro que já é um costume eu não dormir muito, mas não dormir muito acordando de cinco e cinco minutos e ultra-irritante. Minha cabeça dificilmente funciona em ritmo normal, não sei se funciona mais lenta ou numa batida alucinante e me deixa todas as idéias, paixões e divagações estacionadas. Eu naturalmente me torno ansioso obsessivo, logo, engordo, meus dedos ficam estalando-se boa parte do dia, a gastrite mostra que ainda faz parte da minha vida perturbando meu estomago, daí o mau-humor reina inteiramente e soberanamente.

As pessoas tornam-se mais ferinas e eu, estando um pouco sensível levo cada palavra como se fosse uma cutilada, sei que nada disso é necessário, e que, muitas vezes exagero, mas uma verdade sobre meu ser é que não sou muito normal, uma pessoa normal não tem reações normais. Sendo um pouco exagerado em emoções, sendo um pouco anormal a reagir, as pessoas que estão a minha volta tendem a não compreender o simples estado em que me encontro, não sou um sofredor, muito menos uma pessoa fraca, não necessito que passem a mão na minha cabeça e que digam “tadinho”,  quero só que, vejam que as algumas coisas que são fáceis para uns não são para mim, e que, se acham que eu não tenho motivos, saibam que tenho, mesmo que não compreendam eu os tenho e são muito válidos pra mim. As mudanças seriam muito mais suportáveis, se, pelo menos,  houvesse um respeito pelo sentimento alheio. Enquanto esse período não passa, escrevo com um intervalo maior de tempo.

 


Escrito por Ralf às 15h02
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Eu não tenho muito a dizer, estou triste, como nunca estive, parece que me arrancam pedaços da carne e da alma, seu que depois as coisas estarão melhores, como sempre foi na vida de quakquer um, mas, no momento não dá pra aguentar, eu queria fugir, mas é muita covardia, e pelo que me lembro sou homem (sentido amplo da palavra). Mas espero q vocês me entendam e me perdoem se magoei alguem, nunca foi intenção. Espero estar de coração limpo em breve pra poder aproveitar a amizade de todos vocês. Um abraço.
Escrito por Ralf às 23h37
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Eu tenho na vida uma total admiração e um medo terrível de mudanças. Qualquer uma, por mais simples que seja, gera uma expectativa e certo receio.

A primeira delas aconteceu em 1994, nesse ano, eu me dei conta de que era gente, eu vi pela primeira vez o mundo em volta agindo sobre meu ser. Eu tinha 11 anos, estava estudando pela primeira vez no período da manhã, estava percebendo as meninas, estava começando a ouvir os sons, estava começando rabiscar desenhos que eu via na minha cabeça A partir daí eu comecei a ser um novo ser humano. A nova mudança aconteceu em 2004, quando terminei um relacionamento longo, que por mim seria eterno, porém, não foi. Nesse ano o ar ficou mais suave, o céu estava mais colorido, tinha o mesmo sentimento de ser outro que tive em 94. Mas eu era já um homem, com barba, com sonhos, muitos deles haviam se desintegrado junto com meu relacionamento, mas outros nasciam ali mesmo, e muitos deles ainda estão comigo. Hoje, 2005, tenho mais uma mudança na minha vida, grande, impetuosa, arrebatadora, que me traz novas esperanças, juntamente com os medos. Com certeza hoje sou mais forte e confiante, sei muito bem onde quero pisar e onde posso pisar. Tenho uma pouco da juventude de 1994 guardada aqui dentro, e é nela que se sustenta meu pesado futuro, pois eu sei muito bem que aquela força é invencível, por mais pesado que seja meu fardo.


Escrito por Ralf às 14h35
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El Futebol!!!!!

Terça-feira, 7:30 da manhã, saio de casa andando para ir até o ginásio de esportes, a manhã é bonita, o ar é fresco, a cidade acorda, há apenas uma coisa velha, eu. Ta certo eu tenho 22 anos, mas me senti como se tivesse voado sobre o tempo, vou explicar o motivo.

Fui acompanhar o jogo de futebol do colégio onde meu irmão estuda, no evento q chamamos de “Maratona” que ocorre uma vez ao ano na cidade de São João da Boa Vista onde todos os colégios da cidade disputam várias modalidades de esporte. Mas, por que me senti velho? Pouco tempo atrás eu tinha 12 anos e estava nas quadras do ginásio jogando basquete, na pista de atletismo correndo o 100m rasos,  esperava o ano todo para disputar os jogos, acompanhar jogos dos amigos q competiam outras modalidades, ali eu torci, perdi e ganhei jogos. A cidade é a mesma, o ginásio do CIC é o mesmo, o esporte é mesmo, somente eu mudei. Vejo meu irmão vivendo tudo q vivi, e penso no que ele sentirá quando isso acabar quando ele mudar.

Esse jogou me mostrou muitas coisas, uma que meu irmão até que é um bom zagueiro, outra que o time deles é muito ruim, e perderam, como sempre, também senti mais apreço pelo meu irmão, vendo ele viver as mesmas coisas que eu. Mas não vou ficar melancólico, nem saudosista, vou levar minha vidinha. Mas sei que minha irmã tem cinco anos, e quando ela estiver lá na quadra jogando, aí sim sentirei-me velho.


Escrito por Ralf às 13h01
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Me and the Lonely Wolf

“(...) Arde em mim um selvagem anseio de sensações fortes, um ardor pela vida desregrada, baixa, normal, e estéril, bem um desejo louco de quebrar algo (...), de cometer loucuras temerárias, de arrancar a cabeleira de alguns ídolos venerados (...)”      O lobo da estepe, Hermann Hesse, pag.30

 

 

 

Um dia quem sabe, e não muito distante, terei o prazer de me desvendar. Por enquanto ando me perdendo em mim mesmo, não que eu seja um ávido explorador ou seja corajoso a ponto de me enfrentar, simplesmente não  sou e não tenho.

Não sou explorador de mim mesmo por justa relação a minha falta de coragem de embrenhar no meu ser. Novamente caio no refrão “por isso sofro”.

Indo mais a frente acho o motivo da minha covardia, não sou um só, sou vários. Sou contraditório em tudo o que eu penso e em tudo o que eu faço. Tenho lado bom e o lado ruim, o santo e demônio. Tenho a infelicidade de nunca ser os dois juntos, e justamente esse é o problema, ou as pessoas gostam do menino bom ou as pessoas gostam do menino mau. Mas, no momento derradeiro em  que os simpatizantes do bom encontram-se com o mau, ou o contrário, há a decepção. Não falo de uma simples frustração , e sim de uma grande nódoa escura. Não sei quantas pessoas se afastaram de mim ou quantas irão se afastar, não sei se um dia alguém irá de gostar de mim por completo, compreendendo o homem e o lobo, mas está cada dia mais difícil conviver comigo mesmo e com as pessoas que amo, e espero que elas me amem por completo, pois do contrário estão por despedir-se de mim, cedo ou tarde.

 


Escrito por Ralf às 09h54
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